sexta-feira, 13 de maio de 2011

Compartilhando

Olá leitores do Eh Uóh. Este humilde blog universitário, por meio dessa reportagem, quer compartilhar com todos, além do conhecimento, a sensibilização. Sabemos que nosso futuro depende muito mais do que nossa formação. Na última década, o planeta têm visto e sentido todas as formas de mudanças estruturais provocadas por nós humanos.
Compartilhamos com vocês essa reportagem, produzida para a matéria de redação jornalística. Vale a pena, escavar e conhecer um pouco dessa riqueza de Foz do Iguaçu: os animais em extinção. 


Clausura não impede espetáculo de espécies em extinção

O desaparecimento da variedade vai provocar uma janela na cadeia ecológica e biológica. Abrigados em recintos, sobreviventes trazem esperança e conscientizam


A natureza frente ao homem. A única espécie Panthera encontrada das Américas: a onça pintada parece beijar a vitrine na presença dos turistas. “É inexplicável o contato com um animal que só vemos na tela da TV. Aqui é tudo ao vivo, é real!”, declarou a visitante argentina. 

Animais migram das páginas dos livros para a realidade, comovendo visitantes no Refúgio Biológico Bela Vista. Nos 1.920 hectares, em que há 27 anos Itaipu conserva a riqueza da vida animal, estão abrigados 385 animais de 52 espécies nativas. Destas 11 são ameaçadas em extinção, à exemplo onça pintada, anta, cervo do pantanal e tamanduá-bandeira. A harpia e o macaco prego, permanecem eclusos do roteiro turístico para reprodução.
A observação acontece ao longo da trilha dos animais. No percurso em meio a mata, é possível observar animais nos viveiros adaptados para cada espécie. Durante a caminhada existem pausas para conhecer também um pouco da flora da região. O monitor, recolheu algumas folhas secas pedindo para que as pessoas identificassem o cheiro, em instantes o grupo de turistas relacionou o resultado da experiência com o cotidiano. São mais de 960 espécies de plantas, 177 delas com qualidade filantrópica.
Elementos da natureza estimulam o olfato, tato, audição, paladar e visão, aguçando sentidos. As percepções ganham sentido com o conhecimento transmitidas pelos monitores.
Meus olhos viam tartarugas, ao mesmo tempo o monitor informava que não havia nenhuma. Não sabia que tratava-se de uma família de quelônios”, declarou a visitante gaúcha Cristiane Queiroz.
Durante a caminhada existem pausas para conhecer também um pouco da flora da região. O monitor, recolheu algumas folhas secas pedindo para que as pessoas identificassem o cheiro, em instantes o grupo de turistas relacionou o resultado da experiência com o cotidiano. São mais de 960 espécies de plantas, 177 delas com qualidade filantrópica.
As relações entre o cotiano e a natureza estreitam na medida em que a percepção sobre o meio aumenta. A ambientação dos recintos proporciona não somente o bem estar dos animais, mas também auxilia para que os animais manifestem ao visitante ao menos parte de seus comportamentos naturais. São 79 mamíferos, 305 aves, 47 répteis e 1 anfíbio.
Entre os mamíferos, além dos ameaçados em extinção, há cachorro-do-mato, capivara, cateto, cuica-lanosa, gambá-de-orelha-branca, ouriço-cacheiro, furão, jaguatirica, quati, ratão do banhado e macaco-prego. Entre as aves, arara-vermelha, maracanã, mutum-de-penacho, gavião-de-cauda-branca, urubu-de-cabeça-preta, urubu-rei e papagaio verdadeiro.
Entendidos da importância da procriação das espécies, uma das surpresas do passeio acontece na visita ao viveiro das aves, onde as pessoas entram no recinto. “Quando vi aquela jaula enorme não pensei que fossemos realmente entrar. Confesso que foi uma experiência fantástica. Só em contato com a natureza para compreender nossa responsabilidade na preservação das espécies”, lembrou a visitante paulista Elen Dainezi
A última visita é a mais esperada, deixando os turistas cara a cara com espécies selvagens, como a única Panthera das Américas: a onça pintada, criticamente em perigo de extinção. “É inexplicável o contato com um animal que só vemos na tela da TV. Aqui é tudo ao vivo, é real”, relatou a visitante argentina Nanci Bastazo que realizou o passeio na companhia do marido e da filha de um ano e sete meses.
Muitas das espécies animais e vegetais, já estão sujeitas à extinção. O encontro é antes de tudo um alerta. A conservação da biodiversidade brasileira para as gerações presentes e futuras e a administração do conflitos envolvendo a preservação, permanece um grande desafio.

Recinto das Onças

 
Juma no recinto de grandes felinos do Zoológico Roberto Ribas Lange. A felina de quase 20 anos habita o local desde a contrução

Considerada a principal atração do Zoológico Roberto Ribas Lange, a onça pintada é a espécie símbolo do Refúgio Biológico Bela Vista (RVB). O recinto abrange uma área de 1.200 metros quadrados e inclui um lago onde o casal Juma e Valente costuma nadar.
A onça é o maior felino das Américas. Os machos podem chegar a 2,4 metros de comprimento e pesar até 140 Kg. Em cativeiro a expectativa de vida do animal é de cerca de 20 anos, em seu habitat natural o índice de sobrevivência cai pela metade.
Quando em seu habitat natural, este felino desempenha o papel de estabilizador dos ecossistemas, regulando populações de espécies. A mordida da onça é uma das mais poderosas, mesmo comparada aos outros felinos. Capaz de furar a casca dura de répteis como a tartaruga, ela morde diretamente através do crânio da presa entre os ouvidos. Uma mordida fatal ao cérebro.
Solitárias, só buscam companhia de um par durante o acasalamento. Os machos atingem maturidade sexual em torno dos três anos, e as fêmeas com dois anos. A gestação dura em média 100 dias, podendo resultar no nascimento de até quatro filhotes.
A chegada da fêmea, Juma, ao RBV aconteceu em 2002, após ter sido capturada próximo ao Parque nacional do Iguaçu na fazenda Três Pinheiros (Céu Azul – PR). A felina que tinha 10 anos de idade pesava 46 kg, considerado baixo para a espécie. Bastante magra e desidratada, recebeu tratamento veterinário e posteriormente foi alojada no Criadouro de Animais Silvestres da Itaipu. Em 2004, com a construção do recinto de grandes felinos no Zoológico Roberto Ribas Lange, Juma foi transferida para o local, ficando exposta aos turistas.
Considerada uma senhora no Refúgio, a felina de quase 20 anos já habita o recinto há pelo menos 7. Seu parceiro durante grande parte deste período foi Tonhão. Em virtude das constantes brigas do casal, o macho foi substituído por outro. Atualmente quem compartilha o recinto com Juma é Valente, com 4 anos de idade.
Apesar do cio e da cópula com os dois machos, a fêmea jamais reproduziu. A nova companhia com a qual atualmente não mantém um relacionamento de casal, deixou Juma mais ativa.
Os turistas que aproximam-se do recinto conseguem ver bem de perto o casal que normalmente se aproxima da vitrine. Com o instinto de caça, a presença de crianças atrai o animal que apesar da aparência dócil segue seu instinto.

Saúde e reprodução










Veado-bororó recebe cuidados no leito do hospital veterinário

O alerta para a extinção de algumas espécies trouxe um desafio ainda maior para o Hospital Veterinário e o Criadouro de Animais Silvestres da Itaipu Binacional (Casib). A reprodução representa um grande patrimônio para as equipes.
No hospital veterinário, é feito o atendimento de animais mantidos no Zoológico e no Criadouro. Animais silvestres e encontrados feridos na região, são reabilitados. A equipe atua na conservação da fauna, desenvolvendo pesquisas científicas e treinando universitários. Com áreas de isolamento e quarentena, garantem biosseguridade prevenindo e tratando doenças.
Os trabalhos sobre a fauna concentram-se no Casib. Há 18 anos trabalhando na procriação das espécies, o criadouro já reproduziu mais de 800 animais. São mamíferos, aves e répteis, alguns deles ameaçados de extinção. O índice de sobrevivência dos filhotes é superior em 70%.
Merecem destaque por sua raridade a jaguatirica, gato-maracajá, veado-bororó, papagaio-de-peito-rocho, harpia e onça pintada, essa última considerada principal atração e espécie símbolo do RBV.
A reprodução em cativeiro dos pequenos felinos é um dos trabalhos que mais se destacam. O desafio é maior com animais ameaçados em extinção, como é o caso da harpia.

Reprodução da harpia

Casal de harpias e dois filhotes, dos seis reproduzidos em cativeiro no Casib

A mais pesada e uma das maiores aves de rapina do mundo, pode pesar até dez quilos. Suas garras são tão fortes que podem esmigalhar um crânio humano. Nem mesmo o tratador tem contato com o animal que recebe os alimentos por meio de um orifício feito em seu recinto. A reprodução foi um grande desafio para o Cassib. Em 2009, a instituição entrou para a história do sul do Brasil, com o primeiro nascimento de harpia em cativeiro.


A justificativa para o isolamento na reprodução, é o imprint, ou seja, a primeira impressão que o recém nascido tem. Um filhote de harpia demora em média duas semanas para reconhecer os pais, após conseguir enxergar perfeitamente. Já um filhote de galinha leva apenas um dia para formar o imprint. Essa diferença é acentuada no caso das harpias, por serem extremamente visuais.


Os recintos existentes para a reprodução de harpia, são chamados de “câmaras de cria”. Sem acesso visual pelas laterais, as aves somente podem ver para o alto e ouvir os sons dos arredores. Na fase adulta, são alimentadas através de um cano de 100mm em pvc, posto inclinado na parede de forma que a comida é oferecida através deste cano. A “câmara de cria” mantém a ave em isolamento visual do ser humano, evitando assim, vínculo alimentar.


A chegada do primeiro macho da espécie, ao Cassib, aconteceu há 11 anos atrás. A fêmea ingressou dois anos depois. Em 2005 o casal monogâmico foi juntado definitivamente, resultando no dia 15 de janeiro de 2009, no nascimento com sucesso do primeiro filhote. Atualmente o abrigo conta com seis aves da espécie.

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